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Maior evento técnico itinerante do setor elétrico do Brasil encerra ciclo em 2018 com chave de ouro

Maior evento técnico itinerante do setor elétrico do Brasil encerra ciclo em 2018 com chave de ouro

Após a jornada por três Estados brasileiros, passando por Fortaleza (CE), Canoas (RS) e São Paulo (SP) a 33ª edição do Cinase - Circuito Nacional do Setor Elétrico encerrou 2018 com chave de ouro. O evento realizado no Rio de Janeiro em novembro recebeu mais de 1000 pessoas durante os dois dias, contou com a participação de 29 patrocinadores, que apresentaram novidades e alguns lançamentos, 21 apoiadores e 40 palestras com especialistas de diversas áreas do segmento elétrico.  A edição interativa contou ainda com o Prêmio O Setor Elétrico para projetos desenvolvidos pelas empresas locais.

Segundo Adolfo Vaiser, diretor da revista O Setor Elétrico e organizador do Cinase, pelo fato da revista estar presente no mercado há 13 anos, está rodeada de renomados especialistas que são convidados ao Cinase para enriquecer o setor de informações.  “O evento é itinerante e pelo fato de sair de São Paulo faz com que preenchamos uma carência elétrica que existe Brasil afora. Criamos um evento que possa marcar a região em que o Cinase passa, com a chance do profissional se atualizar do que há de mais novo no setor. Um congresso técnico com exposição simultânea onde todos os estandes são padronizados”, destacou.

Alexandre Morais, da BRVAL Electrical, patrocinadora master do evento, líder no fornecimento de cabines e subestações blindadas no Estado do Rio de Janeiro, afirmou estar muito feliz do Cinase acontecer na cidade carioca, trazendo novos conceitos e informações para o Brasil. “É muito importante para minha empresa e sou muito grato pela oportunidade. Também foi bom para fortalecer outras companhias devido à qualidade do evento e das palestras”, disse. 

Marcel Campos Araújo, diretor técnico do Sindistal, um dos apoiadores, também reforçou a importância do roadshow ser realizado no Rio de Janeiro, tornando-se o centro dos debates científicos do que há de melhor no setor.

Palestra de abertura

Na ocasião, a Light, responsável pela geração, comercialização e distribuição de energia elétrica no Estado do Rio de Janeiro, abriu o Cinase RJ abordando sobre o trabalho da companhia no combate ao furto. Segundo Rainilton Andrade, superintendente de recuperação de Energia da Light, na companhia há uma estatística de que 70% de interrupções de energia estão relacionadas ao furto de energia. 

“A Light precisa fornecer a 1 TWh a mais por ano para atender somente ao desperdício provocado pelo furto de energia. E isso está embutido no custo das bandeiras, onerando em até 17% a conta de energia dos consumidores cariocas”, destacou.

As áreas com maior furto de energia, explicou, são justamente as que têm mais interrupções, devido à sobrecarga na rede. O Rio de Janeiro é o Estado com o maior volume de furto de energia no Brasil por fatores complexos, como ausência do Estado nas áreas de risco, violência, entro outros.

Para combater esse risco e antecipar as ocorrências na rede, a Light tem investindo pesado em tecnologia, como termovisão em linhas de transmissão, drones, entre outras ações. “Também temos várias frentes na área criminal como convênios com a polícia, delegacia de defesa, delegacias locais, no intuito de prendermos as pessoas que se enriquecem do furto de energia”, complementou.

Paralelamente a isso, a Light tem um setor específico para Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e até março de 2019 haverá 60 projetos em P&D na área de eficiência energética. “Não é à toa que temos os melhores indicadores de uso de qualidade de energia do Brasil (TEX e FEX). Parabenizo esse evento maravilhoso, por podemos discutir sobre essas questões e reforço que o problema de furto de energia não é só da Light. É da sociedade carioca e do Brasil.”

Eficiência energética

A eficiência energética é uma frente de trabalho da Light, considerada um fator de inovação. Segundo Roberto Musser, coordenador de planejamento gestão e eficiência energética da companhia, desde o início da obrigatoriedade de investir 0,5% da receita operacional líquida anual em programas de eficiência energética, em 1998, o PEE – Projeto de Eficiência Energética da Light executou 188 projetos, que somam um investimento de R$ 482,10 milhões. A economia de energia decorrente dessas iniciativas é de 815,64 GWh ao ano. No ano de 2017, o investimento da Light foi de R$ 13,03 milhões em 19 projetos.

As ações executadas incluem desde a alteração de processos produtivos, passando pela substituição de equipamentos por equivalentes mais eficientes, nos sistemas de iluminação, climatização, refrigeração, aquecimento de água, geração de energia por fontes incentivadas, até ações educativas e de cunho social.

Musser destacou que o edital é o principal mecanismo para a participação de uma empresa num projeto de eficiência energética. “Esse ano lançamos dois editais, um de R$ 25 milhões para clientes residências, serviços, comerciais e industrial, e uma chamada, para iluminação pública em R$ 15 milhões. Foram R$ 40 milhões só em editais de projetos”, disse.

O número de projetos qualificados para atender ao edital aumentou, segundo Musser, principalmente com incentivos na questão de múltiplos uso. Por exemplo, ao invés de projeto só de iluminação, é possível conjugar com fotosolar, boilers em hospitais, entre outros. Outro benefício é o contrato de desempenho, onde é possível, por exemplo, investir um total de R$ 1 milhão e devolver ao final do projeto R$ 900 mil com economia de energia gerada.

Musser também ponderou que o setor de energia elétrico no País tem muitos desafios para se tornar descentralizado. A geração distribuída é um dos caminhos e promete uma grande transformação no setor.

Certificação é um dos caminhos para iluminar o Brasil com qualidade

A discussão sobre certificação de lâmpadas e luminárias ainda é recente, mas já é obrigatória pelo Inmetro para a comercialização desses produtos. A arquiteta Juliana Iwashita, diretora da Exper, falou sobre tipos de certificações do Inmetro para lâmpadas LED e luminárias públicas.  “É importante destacar que a confiabilidade do produto não está só num selo. Depende de toda a cadeia para ter a qualidade e a vida útil adequadas”, disse.

Segundo ela, o processo de certificação das lâmpadas e luminárias iniciou há cerca de três anos. Os requisitos básicos são o selo do Inmetro, informação de potência, fluxo e eficiência luminosa.

Marcia Antônio da Silva, diretora de tecnologia da Rio Luz, responsável pela implantação e manutenção do sistema de iluminação pública do Rio de Janeiro, destacou como é o trabalho de certificação no município, que conta com 450 mil pontos de luz. No caso do Rio de janeiro, é exigido do fornecedor de luminárias públicas parâmetros de curvas IES que representam todos os vetores da luminária em 360º. Os itens são analisados por meio de software.

Ela explicou que um dos parâmetros para a avaliação do IES depende do fluxo e da uniformidade. “A impressão é a de que para iluminar é preciso só fluxo, mas o cérebro que constrói a imagem também precisa de contraste, de uniformidade. Numa via onde transitamos em velocidade, nossa visibilidade tem de ser muito boa para construirmos a imagem associada à velocidade que estamos transitando. Se houver faixa de claro e escuro na rua, nossa visão vai ficar permanentemente focando e desfocando e isso cansa e traz consequências no nosso tempo de reação, podendo causar acidente. Então analisamos todos esses dados no software e simulamos a forma mais adequada de iluminação para o local,” disse.

Outro parâmetro de avaliação da luminária, segundo Marcia, além do fotométrico, é o elétrico, principalmente na questão de segurança. “Analisamos itens que possam dar choque. Em grandes áreas de convivência, como praças, indicamos poste de fibra, que é isolante elétrico e a chance de choque para uma pessoa que eventualmente encoste no poste é muito baixa. Também conversamos com fornecedores para que eles envolvam tampões com materiais isolantes”, explicou.

A Rio Luz também exige dos fornecedores testes mecânicos de resistência, de vibração e de carga, já que as luminárias estão em cima de postes sujeitos a vibração e ao e vento.

Em relação à questão ambiental, o abrigo de inseto nas luminárias é a mais importante. “Por serem quentes, as luminárias atraem insetos que morrem no local e se depositam sobre o dissipador de calor. Isso pode comprometer a dissipação e impactar na vida do LED, então exigimos luminárias apropriadas para evitar isso.”

Um fator bastante considerado na cidade carioca é a estética. Para esse lugar turístico a Rio Luz determina mobiliários urbanos cleans.

O fornecedor de luminária pública no Rio de Janeiro passa por três fases de avaliação: documental, de amostra e avaliação da fábrica. Depois de homologação também há inspeção para não entregar produto diferente.

Para Adriano Pinheiros Fragoso, gerente técnico da Lablux, da Universidade Federal Fluminense, que realiza ensaios de certificações creditados pelo Inmetro. O carro chefe da empresa são os ensaios de segurança e de desempenho elétrico, que comtemplam toda a portaria do Inmetro, como ensaios fotométricos, de vida eletromagnético e mecânico.  “É indiscutível o quanto a regulamentação traz de benefícios para o produto. Mas ainda temos muito a desenvolver”, disse.

Uma dos desafios é a questão de especificação de produtos. O Brasil é um dos poucos países que aceita ensaio de fora. Mas se for exportar para Argentina, por exemplo, o produto tem de ser ensaiado lá. Com isso, estimamos que dois terços de ensaios de energia de iluminação e certificação são feitos fora do País. Isso tira nosso mercado e torna o produto mais difícil de se rastrear. É um ponto falho da certificação, embora seja ainda benéfica para o nosso mercado”, destacou

Segundo ele, a maioria dos produtos de iluminação é importado por causa do menor custo, mas a montagem de luminárias no Brasil voltou a crescer. A vantagem é que a portaria 20 do Inmetro estipulou que, em fevereiro de 2019, expira o prazo para importação desse tipo de produto. É um mercado promissor e acreditamos que a universidade tem de estar próxima da indústria, ajudando a formar profissionais com maior qualidade.”

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